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Novembro Azul

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Novembro Azul: um sinal de alerta para a saúde dos homens

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Como já acontecem todos os anos, o mês de novembro é integralmente dedicado para reforçar o alerta e a importância da conscientização a respeito de doenças masculinas, com ênfase na prevenção do câncer de próstata, mais freqüente entre os homens brasileiros, depois do câncer de pele. 
Especificamente para a área de atenção Saúde do Homem, há atualmente 29 programas cadastrados na ANS, sendo que 25 deles possuem ações e medidas voltadas para a linha de cuidado do câncer de próstata. Outras áreas que recebem atenção especial são: câncer de pênis, câncer de testículo, a andropausa e as doenças sexualmente transmissíveis. 
 
Dados sobre o câncer de próstata
 
Embora comum, por medo ou desconhecimento, muitos homens preferem não conversar sobre esse assunto.  Por isso, a necessidade de desenvolver ações para estimular a realização do diagnóstico precoce, já que as taxas de incidência no Brasil vêm aumentando devido ao aumento da expectativa de vida. 
Conforme dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), estima-se que para cada ano do biênio 2018/2019, sejam diagnosticados 68.220 novos casos de câncer de próstata e cerca de 15 mil mortes/ano devem ocorrer em decorrência da doença no Brasil, que geralmente ocorre em homens mais velhos.  Cerca de 6 em cada 10 casos são diagnosticados em homens com mais de 65 anos. 

Movember

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A Movember Foundation começou, aos poucos, a emprestar seu nome para o movimento global de conscientização em relação ao câncer de próstata. O significado é a união entre moustache (bigode, em inglês) e november (novembro).

Um ano depois de sua criação, em 2004, a Movember já tinha 480 membros entre homens e mulheres e a quantia arrecadada ultrapassava os 30 mil euros, todos doados para a Prostate Cancer Foundation of Australia, ou Fundação do Câncer de Próstata da Austrália (PCFA). Além disso, os dois amigos impulsionaram a criação de outros seis projetos em prol da saúde masculina naquele mesmo ano.

Com a popularidade, o Movember passou a ser um movimento amplo, que engajava milhões de homens ao redor do mundo. A ideia? Não se barbear para reforçar a conscientização gerada pela campanha de maneira evidente. Assim surgiu o *No-shave november (*novembro sem se barbear, em tradução livre).

 

Em 2017, ano no qual os últimos números foram registrados, a Movember Foundation já tinha ampliado ao extremo seus resultados. Mais de 15 países participantes e mais de 5,5 milhões de apoiadores. A quantidade de projetos criados em prol da conscientização também aumentou, e já estava em 1.250.

Novembro Azul no Brasil

Cinco anos após a sua criação, em 2008, o Novembro Azul chegou ao Brasil fruto de uma parceria entre o Instituto Lado a Lado pela Vida e a Sociedade Brasileira de Urologia.

Assim como no Outubro Rosa, muitos lugares iluminam seus espaços com a cor azul e fazem ações voltadas ao movimento, divulgando detalhes sobre a doença e deixando clara a importância de se cuidar, prevenir e diagnosticá-la.

Por que o Novembro Azul vai além do câncer de próstata?

Para explicarmos as razões pelas quais o Novembro Azul é tão amplo e envolve tantas ações, precisamos falar sobre um aspecto muito determinante para as mobilizações em torno do movimento: a masculinidade criada em meio a uma cultura que afeta a todos os homens.

Sobrepor os conceitos criados desde cedo na vida dos homens é um trabalho que exige cuidado e dedicação, muitas vezes não despendida ao gênero masculino por diversas razões. Assim, antes de falar sobre câncer de próstata, é necessário lidar com um verdadeiro labirinto que envolve emoções, consciência, sociedade e cobrança (inclusive a autocobrança), entre outros.

O preconceito

O câncer de próstata, quando descoberto em seus primeiros estágios, tem 90% de chance de cura. Entretanto, se diagnosticado de maneira tardia, isso diminui exponencialmente.

Para que a doença seja confirmada é necessário fazer o exame de toque, principalmente após os 40 anos, sendo que aos 50 a chance de contrair a doença é ainda maior. Aí mora um problema que vai muito além da questão de saúde e envolve a mentalidade, as crenças e os resíduos de uma criação feita em um mundo centrado no masculino.

Enquanto no Outubro Rosa o autoexame, as mamografias e todas as formas de diagnóstico são compartilhadas e revistas pelas mulheres, no caso dos homens há um tabu em torno do exame de toque, devido à maneira como é feito.

Por isso, muitos simplesmente se recusam a realizar o procedimento, impedindo um diagnóstico precoce. Como já mencionamos, essa atitude negligente reduz muito as chances de cura.

Um dos principais problemas aqui é a falta de informação. Diversos homens dizem que não irão fazer o exame porque não sentem nada. Entretanto, o câncer de próstata é silencioso e demora para apresentar os primeiros sintomas, que surgem só em um estágio mais preocupante.

Portanto, temos um cenário em que, por puro preconceito, muitos rapazes e senhores falecem vítimas da doença somente porque não quiseram fazer o exame quando deveriam.

Isso traz à tona um problema muito maior do que a doença em si. É preciso conscientizar. Deixar claro que o procedimento não envolve orientação sexual, dor ou piadas, mas sim uma questão crucial de saúde.

Diante disso, é primordial que as ações do Novembro Azul saiam do escopo do câncer em si, e atinjam amplamente o modo de pensar de todos os homens. É evidente a necessidade de reforçar que o exame de toque é muito importante para a vida de todos, e que a saúde deve ser priorizada sempre, independentemente de credo, orientação sexual, identidade de gênero e qualquer outro aspecto.

A negligência em relação ao cuidado e autocuidado

Para demonstrar a força inquestionável do sexo masculino — atitude também fruto de uma cultura mundial centrada no gênero —, os homens tendem a recusar formas de cuidado vindas de outras pessoas e até mesmo o autocuidado.

Muitos rapazes sabem que, ao se machucarem na infância, ou ao terem grandes decepções e ficarem tristes ou abalados, era comum ouvir a frase “Você é homem, não é?” ou até mesmo versões mais escrachadas como “Você é um homem ou um saco de batatas”? Isso cria nos meninos, desde cedo, uma noção de que por ser do gênero masculino não se deve chorar ou se deixar magoar por nada.

Então, ao crescer, passam a reprimir sentimentos, sensações, e aumentar muito as dúvidas dentro de si em relação à orientação sexual, ao que é “ser homem” e como devem ser as relações entre eles e outras pessoas. Tudo por terem certeza de que não precisam se cuidar e de que isso é algo para quem “não é homem”.

Enquanto as mulheres vão até ao banheiro juntas para discutir detalhes sobre a vida, quantas vezes você, homem, parou para sentar com os amigos e falar sobre algo que te incomodava? Quantas vezes você chorou na frente de alguém realmente liberando seus sentimentos?
 

Portanto, o Novembro Azul deve impulsionar ações, também, com o objetivo de cuidar desse aspecto. É necessário ressignificar o papel do homem na sociedade, descolá-lo de hierarquias e de necessidades de demonstração de força.

Todos temos fraquezas, independentemente do gênero, e é necessário tratá-las e explorá-las para entender melhor quem somos e como lidar com nossa saúde mental.

Para quem já convive com a doença, inclusive, essa questão é ainda mais latente.

Lidar com o tratamento do câncer, passar pelas etapas complicadas que os sintomas e os efeitos dos medicamentos trazem e acordar dia após dia, sabendo da gravidade que ele carrega para a saúde, é algo cansativo tanto física quanto mentalmente. Não são poucas as vezes em que pessoas com câncer desenvolvem depressão e outros transtornos, que podem inclusive piorar os sintomas da doença. Todo cuidado é pouco!

A própria movember faz ações desse tipo, estimulando a saúde mental masculina em empresas e escolas, e auxiliando na melhora da relação entre pais e filhos. Além disso, também há um movimento específico proposto por eles que busca atender a fazendeiros, que de tanto se preocuparem com os outros, não tomam conta deles mesmos.
 

Sobre o câncer de próstata

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O câncer de próstata é o tumor mais comum em homens com mais de 50 anos. Há estatísticas que apontam que ao menos um em cada seis podem desenvolver a doença ao longo da vida.

A próstata é o órgão responsável pela produção dos nutrientes e fluidos que fazem parte do esperma. Com a idade, ela cresce, e a chance de o câncer surgir aumenta.

O tumor se instala em qualquer parte da próstata e, após certo tempo, cresce e pode ocupá-la praticamente em sua totalidade, o que afeta também outros órgãos como a uretra e as vesículas seminais.

Sintomas

No início, a doença não apresenta sintomas (por isso, o cuidado com o diagnóstico deve ser redobrado) a maioria dos sintomas do câncer de próstata se concentra nos sistemas reprodutor e excretor. Porém, após algum tempo, pode evoluir e afetar ossos nas pernas e pés, entre outros locais. Veja os principais sintomas:

  • Fluxo urinário fraco ou interrompido;
  • Sangue na urina e/ou no sêmen;
  • Disfunção erétil;
  • Excesso de micção na parte da noite;
  • Incontinência urinária.

Em estágios mais avançados, quando o câncer passa a tomar os ossos (local onde costumam se desenvolver e permanecer por muitos anos), podem surgir dores nos quadris, costas e ombros, entre outros, além de fraqueza ou dormência nas pernas e nos pés.

Caso o câncer seja diagnosticado ainda em seus primeiros estágios, portanto, é necessário ficar atento aos sintomas para informar o médico caso surjam, já que isso significa um avanço da doença.

Como diagnosticar?

Existem duas formas de diagnóstico principais para o câncer de próstata, que podem ser combinadas para garantir uma maior certeza na hora de avaliar o paciente: o exame de toque retal e o PSA (antígeno prostático específico), feito pela análise do sangue.

 

É possível, também, que haja a necessidade de deixar ainda mais claro os resultados. Para isso, então, será realizada uma biópsia da próstata. Só então haverá certeza da presença do câncer.

Dependendo do estágio e dos sintomas, o médico poderá também solicitar outros exames para avaliar o crescimento da doença.

Quais são os tratamentos?

A idade, expectativa de vida, condições de saúde e de tratamento e a relação do paciente com certos efeitos colaterais dos medicamentos são alguns fatores de decisão na hora de sugerir tratamentos para o câncer.

As principais formas de tratar são:

  • conduta expectante (para cânceres menos agressivos, há um acompanhamento do tumor com aplicação de antígenos e biópsias frequentes, evitando um tratamento desnecessário no primeiro momento);
  • radioterapia;
  • criocirurgia (método cirúrgico para destruir lesões feito por meio de gases em baixas temperaturas);
  • imunoterapia (forma de tratamento que estimula o sistema imune a combater o câncer);
  • quimioterapia;
  • tratamento da disseminação para os ossos;
  • hormonioterapia (tratamento que visa inibir a atividade de hormônios que influenciam no desenvolvimento do tumor).
 
FONTE: ANS e VITTUDE.